Minha “relação” com o U2 começou nos idos de 1987. Estava cansado do lenga-lenga e da que soberba que reinava naquele momento no cenário do pop-rock nacional.
Comprei na “Curtsom” o disco que o U2 acabava de lançar, o icônico The Joshua Tree. O começo da incursão pela música americana da banda. Agora a sonoridade dos irlandeses flertava com o blues e country.
Na semana seguinte voltei na loja e comprei os demais discos anteriormente lançados pelo U2: Boy, War, The Unforgetable Fire etc.
Adorava, principalmente os sons da guitarra de Edge. Pontual e precisa, diferente, sem excessos ou deslumbres virtuosos.
Nessa época, o frontman do U2 ainda se chamava Bono Vox (hoje é só Bono). Cabelo channel indefectível que se vestia numa mistura de cigano com um cowboy de esfalto. Bono era simplesmente o melhor vocalista do rock nos anos 80.
Larry, na bateria, e Adam, no baixo, chamados de “a cozinha do U2”. Uma espécie de lado racional da banda que limita os excessos de Bono e as experimentações de The Edge.
Meus álbuns preferidos do U2 são: Boy (quando a banda era pura adrenalina, que contém a maravilhosa canção “Out of Control”); Unforgetable Fire (é o ápice dos vocais de Bono na música que leva o título ao álbum, e claro, não posso esquecer de “Bad”, uma das músicas que mais ouvi na minha vida) e Achtung Baby (menos por “One” e mais por “Acrobat” e “Ultra-Violet”). Entre os DVDs, não tem concorrência, o filme “Ratle and Hum”, que mostra o U2 naquilo que ele foi: A melhor banda de rock dos anos 80.
Todo mundo sempre diz que as melhores bandas da história foram Beatles e Rolling Stones. Bom, os Beatles é algo intangível, mas o U2 já pode se inserir nessa história. A meu ver, inclusive já superou os Stones, pela relevância musical e social.
Nesses dias de downloads, mp3 e internet, é uma pena observar que o U2 é algo em extinção. Sim, sempre houve a tradição da “maior/melhor ou de maior sucesso” banda de rock. Foi assim com os Beatles, Rolling Stones, Led Zepellin, Queen e U2. Acontece que para o U2 não há sucessor, não há para quem passar o bastão. Seja porque bandas como Green Day não tem fôlego para outras sonoridades, seja porque o Coldplay é uma banda insossa demais, sempre fazendo mais do mesmo, apesar de ter contratado os mesmos produtores musicais do U2. Restaria o Pearl Jam, mas o distanciamento midiático da banda impede o rótulo de maioral do pedaço.
Assim é bom aproveitar o U2 em cada segundo.
SHOW
O U2 entra no palco de forma apoteótica. Enquanto os alto-falantes tocam “Space Orbity” de David Bowie, o telão mostra os integrantes da banda passando entre o público. A gritaria é geral.
A primeira música foi uma agradável surpresa, nada mais que “Even Better Than The Real Thing” com uma roupagem um pouco diferente, com guitarra e vozes metalizadas.
A medida que o espetáculo avança é fácil perceber que a maioria das pessoas ali presentes assistem ao seu primeiro show do U2 dada a exacerbação das emoções, exemplo disso, foi quando começam os acordes de Miss Sarajevo, uma garota começa a chorar copiosamente e um outro qualquer gritou um “puta que pariu” de modo sentimental, se é que isso é possível.
Bom para o U2 tudo parece ser possível.
Alguém disse que o palco e a parafernália do U2 funcionam como um quinto membro. Discordo. Desde a turnê 1987 a banda utiliza uma estrutura diferenciada e gigantesca. Se o palco fosse comum como todos os outros a emoção seria idêntica.
O palco chamado de “A Garra” se apresenta como um suporte eficiente, que assombra seja do ponto de vista visual seja tecnológico, encanta e cumpre sua função, mas não se pode perder de vista que a turnê 360° foi engendrada para espetáculos ao céu aberto, visando um retorno da banda, depois de mais de 10 anos aos grandes estádios.
Logo, a grandiosidade visa permitir que o público mesmo a uma grande distância tenham uma proximidade com o show, bem como a venda de ingressos para a todos os setores do estádio.
Dando seguimento, U2 toca em Magnificent, Until The End Of The World etc. Particularmente, esperava ouvir “Unknow Caller”, do álbum mais recente, mas ficou de fora. O ponto alto é “Ultra-Violet” que culmina com na espetacular “Momento f Surrender”, que sinceramente é aquele momento onde falta o chão. Uma saraivada de “OH OH OH OH OH OH”. O U2 vai embora ao som de Rocketman de Elton Jonh.
Depois de tudo é voltar pra casa com a cara embasbacada e plenamente satisfeito. Afinal o show do U2 é tudo que você não pode deixar para trás.
Abraços.
Renato
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